O SBT parece ter feito sua escolha — e ela não aponta para a renovação. Ao contrário do discurso de modernização que tenta sustentar, a emissora mostrou, já na virada do Ano Novo, que não resistiu à pressão do ambiente político-midiático e decidiu aderir de vez ao campo da direita e da extrema direita.
A transmissão ao vivo das celebrações diretamente dos Estados Unidos, marcada por uma claque ideológica claramente alinhada ao neoconservadorismo, foi mais do que um gesto simbólico: soou como um recado editorial. O que se viu não foi pluralidade, mas a reafirmação de um pensamento único, importado e repetido, distante da complexidade do debate público brasileiro.
Esse movimento se consolida agora com a contratação do comentarista político Caio Coppolla, anunciada pelo SBT nesta quinta-feira (26). Coppolla comandará o quadro Boletim Coppolla, exibido de segunda a sexta no SBT News e aos sábados no SBT Brasil, ambos na TV aberta. O jornalista, conhecido por suas posições firmemente alinhadas à direita liberal e conservadora, chega como mais uma peça central do que a emissora trata como seu “novo” projeto editorial.
Com passagens pela Jovem Pan e pela CNN Brasil, Coppolla construiu sua projeção pública a partir de embates ideológicos e forte presença nas redes sociais, onde soma mais de 6 milhões de seguidores. No entanto, sua contratação reforça a percepção de que o SBT optou por reproduzir fórmulas já desgastadas, apostando em comentaristas que dialogam prioritariamente com um público ideologicamente cativo.
Na prática, o SBT News, apresentado como carro-chefe da nova fase do jornalismo da emissora, se revela “mais do mesmo”: um noticiário amarrado ao pensamento extremista da direita, com baixa diversidade de vozes e pouco espaço para análises críticas que escapem do script liberal-conservador dominante.
A promessa de um jornalismo plural, moderno e independente vai se perdendo à medida que o SBT se aproxima do modelo já explorado por outros grupos de mídia: polarização, opinião travestida de análise e alinhamento explícito a um campo ideológico específico. O resultado é um jornalismo previsível, que troca o compromisso com o contraditório pela segurança de agradar uma bolha.
Ao que tudo indica, o SBT não inaugurou um novo caminho. Apenas escolheu um lado — e ele já é velho conhecido do público brasileiro.


